"Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade".
(Frida Kahlo)

sábado, 15 de agosto de 2009

40 anos de paz, amor e música.


''A primeira exposição de aquário; Bem aqui, aqui está ela!''. Essa foi a definição dada ao festival de Woodstock por Michael Lang, um de seus produtores.

Era um período de grandes tensões políticas e sociais nos Eua. A guerra do Vietnã estava começando e Martin Luther King acabara de ser assassinado. Junto aos avanços tecnológicos, iniciava-se uma revolução no comportamento da sociedade, onde certos valores começaram a ser questionados. A arte, em especial a música, refletia esses acontecimentos, e a juventude era a base de toda essa transformação,buscando uma nova forma de viver em sociedade,longe da violência, dos preconceitos e limitações.

Foi nesse contexto que nasceu o Woodstock.Um festival, voltado para a juventude, onde se ouviria música boa, trocando tragos e idéias em total liberdade. Idealizado por Michael Lang e Artie Kornfield, a proposta inicial era a de fazer um estúdio de música, mas logo foi substituida pela idéia de um festival ao ar livre.

Realizado entre os dias 15 à 18 de agosto da 1969, numa pequena fazenda na cidade de Bethel, em Nova York,e esperando um público de menos de 200 mil espectadores, o festival tomou dimensões astronômicas, atraindo mais de 500 mil pessoas e se tornando naquele instante o maior símbolo da Contracultura.

O grande fluxo de pessoas em direção ao festival, transformou território de Bethel em área de calamidade pública.Os ingressos não foram mais cobrados, tornando a entrada gratuita. Mas apesar dos contratempos causados pela falta de estrutura,e a grande concentração de pessoas, o Woodstock teve um caráter totalmente pacífico, contabilizando apenas duas mortes, uma por overdose e outra por atropelamento.

O festival contou com a participação de grandes artistas, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane, The Who, Canned Heat, entre outros. Um dos grandes momentos,foi a interpretação de Joe Cocker, da música ''With a little help from my friends'', e a de Jimi hendrix, em ''The Star-Spangled Banner''.

Mas não foram só as grandes performances musicais que fizeram o nome do festival;Os espectadores se tornaram a atração principal, com a sua postura libertária e pacífica em grandes momentos, como nas demonstrações de ioga,banhos no lago e amor livre,além do histórico banho de lama,quando mesmo com o mal tempo e a chuva, todos se divertiram batendo latas, e cantando. Todos esses momentos foram registrados em um documentário com mais de duas horas e meia de material, lançado em 1970.

Passado exatamente 40 anos hoje, o festival de Woodstock será comemorado e lembrado com carinho, por representar a aura libertária, que abriu as portas para uma revolução de comportamento na sociedade, e que mostrou a possibilidade de uma convivência pacífica, desprovida de preconceitos,onde as pessoas se ajudam e se comunicam; A chamada Era de aquário.

sábado, 25 de julho de 2009

Como domesticar uma borboleta?


Ela chegou de maneira inesperada, precisando dos meus cuidados. Trazia um mistério na sua cor escura. Preto, azul, marrom, branco, amarelo e vermelho. Aparentemente frágil, suas asas mais pareciam pétalas de rosas, o que aumentava a minha admiração, pois ela tinha uma força e um extremo poder de sedução intercalado à sutileza e a discrição. E apesar de algumas quedas, talvez uma asa quebrada, sempre ensaiava o voo monumental.

Pousou em minhas mãos, um lugar seguro para repousar. De início eu achei surpreendente ter em minhas mãos uma borboleta, inalcançável, daquelas que a gente só tem o privilégio de ver em voos kamikazes. Não é todo o dia que se tem uma borboleta nas mãos. Passado a surpresa, fui atrás de um recipiente onde pudesse colocá-la, afim de que não fugisse. Cheguei até a cogitar que ela não demoraria tanto para morrer, então imortalizaria sua beleza fixando-a numa futura tela, junto com uma flor amarela que eu deixei secando atrás do meu caderno. Isso tudo na tentativa de capturar um momento. A flor, a borboleta, como uma foto, das coisas maravilhosas que acontecem raramente nas nossas vidas.

Logo vi que tudo aquilo era uma loucura. Como eu pude querer domesticar uma borboleta?Eu, tão indomesticável quanto ela! A sua beleza era justamente o mistério e a liberdade do golpe de suas asas. A verdade é que eu fiquei tão feliz por ter aquele pequeno ser ao meu lado, que a minha ânsia de te-lo por perto me fez esquecer que ele estava ali porque queria, porque se sentia seguro. E isso bastava.

Vendo as coisas dessa maneira, pude perceber também as coisas boas que eu tinha pra oferecer, tanto, que o ser mais amável que eu já vi, tinha se aconchegado em mim. E também entendi a importância de viver de verdade e aproveitar todos os momentos que se tem. Pois a felicidade não se captura em fotos ou telas; é só a lembrança do que se espera que tenha sido bem aproveitado.

Ela me fazia muito bem, e provavelmente continuaria fazendo, mesmo que não estivesse mais sobre as minhas mãos. Estávamos ali, livres pra ficarmos juntas e sermos nós mesmas, o tempo que fosse. Assim sendo, esqueci o assunto e o tempo passou como de costume, de maneira que nem percebemos. Continuamos juntas, indomesticáveis, voando sobre universos inexploráveis e sem previsão para o fim dessa viagem.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma nuvem marginal.


O Brasil do fim dos anos 60 e anos 70 foi inesquecível; Decreto do AI-5, morte de Herzog, guerrilha do Araguaia...Esse estado de caos deu vazão à diversos movimentos artísticos de resistência e rendeu muitos frutos. E foi nessa penumbra repressora que surgiu uma nuvem e começou essa estória.

No fim dos anos 60, um punhado de amigos e agregados se reuniam pelas praias e bares do Rio de Janeiro, com mil idéias em comum. E não se sabe ao certo como foi que começou, pois já eram arte, e num movimento instantâneo, passaram a produzir arte.

Nomes principais: Chacal, Bernardo Vilhena, Ronaldo Santos, e Ronaldo Bastos.

Oficio: Fazer e acontecer.

Juntos eles passaram a construir e desconstruir as coisas, num exercício aos sentidos. Começaram a produzir as famosas Artimanhas, evento Artístico-boêmio-literário,realizado em sebos, para divulgação dos seus livros de poesia marginal,calendários , almanaques (biotônico vitalidade), e poesias faladas. Fundaram também o bloco carnavalesco lítero-musical euterpe Charme da simpatia, que desfilava pelas ruas de búzios em papéis celofanes.

A idéia da coisa ter cara e registro, veio da necessidade de mostrar unidade . O nome surgiu numa tarde lisérgica de ventania, quando uma nuvem cigana pairou pelas ruas de Ipanema...

Musical, marginal, o movimento atraiu outros amigos em ação. Na bola de fim de tarde com os Novos Baianos, na passagem do Chacal no coletivo de teatro Asdrúbal trouxe o trombone, ou na parceria de Bernardo Vilhena com o Bituca ( Milton Nascimento) e Lô Borges, na criação de letras que vieram fazer parte do fodástico Clube da esquina. (Inclusive lá, tem uma música chamada Nuvem cigana, pra quem ainda não ouviu,eu indico)

A Artimanha de reinventar e misturar, acabou por ser precursora da poesia marginal no Brasil, e contribuiu também para a música e para os tradicionais blocos de rua do Rio de Janeiro.

Tudo o que foi feito de bom nessa época, seja pela Nuvem cigana ou por outros coletivos, reverbera nos dias de hoje, nos dá respostas e vontade de agir. Eles são o exemplo do atentado contra a inércia. Pra quem quiser fica a dica; é só deixar o coração bater sem medo.

*Para saber mais sobre a nuvem cigana, tem o livro ‘’Nuvem cigana: Poesia e delírio no Rio dos anos 70’’, e uns vídeos no youtube também. Deleitem-se.



*Foto: Nuvem cigana e Clube da esquina.

Uma nuvem marginal.










O Brasil do fim dos anos 60 e anos 70 foi inesquecível; Decreto do AI-5, morte de Herzog, guerrilha do Araguaia...Esse estado de caos deu vazão a diversos movimentos artísticos de resistência e rendeu muitos frutos. E foi nessa penumbra repressora que surgiu uma nuvem e começou essa estória.
No fim dos anos 60, um punhado de amigos e agregados se reuniam pelas praias e bares do rio de janeiro, com mil idéias em comum. E não se sabe ao certo como foi que começou, pois já eram arte, e num movimento instantâneo, passaram a produzir arte.
Nomes principais: Chacal, Bernardo Vilhena, Ronaldo Santos, e Ronaldo Bastos.
Oficio: Fazer e acontecer.
Juntos eles passaram a construir e desconstruir as coisas, num exercício aos sentidos. Começaram a produzir as famosas Artimanhas, evento Artístico-boemio-literário,realizado em sebos, para divulgação dos seus livros de poesia marginal,calendários , almanaques (biotonico vitalidade), e poesias faladas. Fundaram também o bloco carnavalesco lítero-musical euterpe Charme da simpatia, que desfilava pelas ruas de búzios em papéis celofanes.
A idéia da coisa ter cara e registro, veio da necessidade de mostrar unidade . O nome surgiu numa tarde lisérgica de ventania, quando uma nuvem cigana pairou pelas ruas de Ipanema...
Musical, marginal, o movimento atraiu outros amigos em ação. Na bola de fim de tarde com os novos baianos, na passagem do Chacal no coletivo de teatro Asdrúbal trouxe o trombone, ou na parceria de Bernardo Vilhena com o Bituca ( Milton Nascimento) e Lô Borges, na criação de letras que vieram fazer parte do fodástico Clube da esquina. (Inclusive lá, tem uma música chamada Nuvem cigana, pra quem ainda não ouviu,eu indico)
A Artimanha de reinventar e misturar, acabou por ser precursora da poesia marginal no Brasil, e contribuiu também para a música e para os tradicionais blocos de rua do Rio de Janeiro.
Tudo o que foi feito de bom nessa época, seja pela Nuvem cigana ou por outros coletivos, reverbera nos dias de hoje, nos dá respostas e vontade de agir. Eles são o exemplo do atentado contra a inércia. Pra quem quiser fica a dica; é só deixar o coração bater sem medo.

*Para saber mais sobre a nuvem cigana, tem o livro ‘’Nuvem cigana: Poesia e delírio no Rio dos anos 70’’, e uns vídeos no youtube também. Deleitem-se.





* Na foto: Nuvem cigana e clube da esquina.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O trovador solitário


O nome dele era Renato. Signo de áries, formado em jornalismo, mas dava aula de inglês. Tocava baixo e fazia as letras. Áh, e também carregava uma duo vox gigante escada acima todos os fins de semana, dias de ensaio.

Era fim dos anos 70. A turma se reunia e ficava a tarde inteira tentando acertar alguma música do pistols. Não tinha muita coisa pra se fazer naquela cidade, então nas noites em que eles davam suas caras, valia qualquer coisa. Da pinga ao loló, sexo no carro, encontros na Colina.As vezes uma noite no xadrez, só pra não perder o costume.

Até que eles montaram uma espécie de coletivo não combinado, onde cada um tinha um tipo de função.Confecção de botons, cartazes, etc. As fitas e lp's eram quase comunitárias. Passavam de mão em mão, já que nada chegava lá.Uma resistencia ao tédio. Um ar londrino pairando sob o distrito federal.

Música nova. Química! ''Que bosta de musica escrota Renato!'',''Que isso cara, é legal pra caralho!'' Discussão e uma suposta baquetada na cabeça ( era só o primeiro dos muitos objetos que jogariam na sua cabeça).''Tô fora! Agora sou o Trovador solitário...''

Renato começou a escrever letras sobre faroestes, acompanhadas de violão. Falando do seu mundo pra quem quizesse ouvir e quem não quizesse também, não importava. Talvez a solidão lhe caísse bem...

Andando pelo meio fio, ao som de ''she lost control'', ele pensava o quanto o mundo era cruel. E em algum desses dias descolados do tempo, aquele garoto conseguiu ir mais além. Montou uma nova banda com outros amigos e o que ele dizia passou a produzir eco e arrastar uma legião de pessoas para ouvir.

E apesar das controvérsias, e do tempo que passou, ele conseguiu transpor muito bem aquilo que vinha de fora e de dentro também. Antropofagia? Geração coca-cola. As pessoas não entendiam onde ele queria chegar. As vezes tão pesado, outras vezes tão leve. ''Isso não é rock! E essa falta de técnica musical?''; ''Rock não se aprende na escola, e o que pode ser mais pesado do que falar de amor?'', Difícil, ele dizia...
Talvez as pessoas esperassem demais de alguem que dava o máximo de si.

Aquele cara meio esquisito e neurótico, que conhecia a biografia dos maiores astros do rock e do cinema, que tentou ser feliz um dia de cada vez, por mais que as coisas fossem um tanto difíceis,e que virou uma espécie de messias de uma geração,na verdade ainda era aquele mesmo garoto que queria fazer barulho e se divertir.E dava pra ver nos olhos deles, nos momentos em que se lembrava daquela época tão distante,que ele nunca tinha sido tão feliz. E chegada a hora ele se foi.Talvez esteja a caminhar em algum lugar nesse tempo que parou. O eterno trovador solitário.



Feliz aniversário. 27/03

segunda-feira, 16 de março de 2009

Você é o que você ouve?



Já é mais do que comprovado que a arte é mais do que devaneios subjetivos. Ela é a representação da realidade da época em que ela é gerada. E a música, uma das vertentes mais populares da arte, é uma prova viva dessa projeção cultural e comportamental desde os clássicos das opéras do século XVIII até o 'Créu' nos dias de hoje.

Mas levando essa idéia pro rock, um dos gêneros mais fantásticos de todos os tempos, essas nuances ficam mais evidentes, um panorama de como a sociedade do século XX, e a música atravessaram as décadas apoiadas uma à outra.

Com referências de jazz, gospel,country,e outras coisas, o rock surgiu como um atentado ao convencional e aos bons modos da sociedade burguesa, e adquiriu de imediato um caráter pop. Talvez essa aceitação tenha sido um resultado das mudanças de comportamento da sociedade em transformação,tanto que desde o começo foi um ritmo abraçado essencialmente pela juventude.

Daí pra frente o gênero só fez ganhar forças, suprindo a necessidade da juventude em se agrupar em torno de algo em comum. Desde as músicas 'menino ama menina' dos anos 50, o desbundado dos anos 60, o agressivo dos anos 70, o decadente dos anos 80, o existencial dos anos 90, até nos capengas dias de hoje, o rock vem cumprindo esse papel de gênero totalmente tribalizado.

Essa associação música e tempo é muito importante, porque rendeu frutos inestimáveis histórico e socialmente, e de quebra uma compilação de clássicos. Mas em relação à nossa contemporaneidade, existem dois pontos que são igualmente importantes e preucupantes, e que eu deixo para vocês caros leitores, pensarem e desenvolverem:Será que em meio a tantos acontecimentos históricos,a música, no caso em questão,o rock, hoje nada mais é que um aglutinador de pessoas e tendências, com caráter puramente mercadológico?Mais ainda do que antes?(Porque não sejamos ingênuos, existe uma grande estrutura por trás da arte)Como a gente facilmente identifica nas esquinas,causando a sensação de que a música é o que menos importa?

Outra questão é todo esse aparato visual e comportamental, que muitas pessoas levam bem à sério.Acabando por confundir sua personalidade com o estilo que escuta,ou pior ainda, com os produtos criados em cima da música. O cara pra ouvir punk rock, tem de cuspir na cara do tio avô? Pra gostar de psicodelia tem que se fantasiar de hippie e virar comunista?
O que acontece agora é a falta de alguma coisa a altura pra representar a atualidade, resultando nessa salada de tendências e comportamentos duvidosos. Ou então essa é a coisa a altura mesmo, numa sociedade que sabe fazer máquinas, mas não sabe mais fazer e viver a arte; Que tem o msn em casa, mas que não sabe se relacionar com as pessoas, e mais do que antes, tenta encontrar alento em grupos, estilos, muitos deles que nem condizem mais com a atual realidade, diminuindo ao fim a importância da música.

Legal depois de 50 anos ver que o rock,quanto cultura, ainda tem a capacidade de reunir pessoas e fazer elas viverem algo em torno dele; só é uma m@#& quando essas certas pessoas confundem as coisas, e acabam por associar e subjugar a música às modinhas passageiras.

foto da banda punk góspel Vamos metralhar o capeta!

quarta-feira, 11 de março de 2009