"Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade".
(Frida Kahlo)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sentia algo completamente íntimo, solitário e doído. Algo que pelo seu teor, escapou de minhas mãos algumas vezes, chegando ao saber de outros. E por mais que eu não deixasse mais escapar- e mesmo que nunca tivesse deixado, era algo tão íntimo que transparecia em meu olhar.
As vezes em que me olhei no espelho nesses momentos reveladores, não consegui encontrar a clareza. Talvez porque a gente nunca se conheça tanto quanto acha. Talvez porque a profundeza dos nossos sentimentos seja tão nossa que nós mesmos desconhecemos.
Diante do espelho, o que vi em meus olhos não representavam por um segundo aquele sentimento íntimo-e por isso tão doloroso- que carregara em meu peito; Pois de tão íntimo meus olhos congelaram. E por mais que qualquer um entendesse o que se passava neste olhar, nunca conseguiria apreende-lo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Útero

Contraíndo, descamando, manipulando
És o que define e o que destrói.
Feminilidade do fundo do folículo, ora inerme, ora desbravador.
Dentro de nós és homem, enlouquece, causa dor
e faz mulher
Prazer em ser a órbita da vida
e do sexo.
És sangue
que alheio a beleza
Emerge entre cólicas e pêlos todos os defeitos da mulher dita perfeita
Perséfone
que grita das suas entranhas
os desejos definidos por homônios.
És o temperamento
o sabor das imcompreensíveis
- porém inesquecíveis
fêmeas.                                                                                                                                                               

domingo, 5 de dezembro de 2010

Esquecimento













Agora consigo lembrar o que é importante.
Como alguém que voltou pra casa depois de um longo tempo fora.
Cada recomeço lembra um cheiro, um clima, um sabor.
Dejavú inverso.
Abraço os doces momentos em minha memória, e deixo pra trás o que não cabe, pois a felicidade está no esquecimento da ausencia dela. E o perdão está no canto do sorriso.

domingo, 21 de novembro de 2010

Amortecedor.

Em  noites assim dá vontade de me misturar com o tecido do meu colchão. Que ele envolva o meu corpo, de maneira que fiquemos uniformes. Beje, sem vida e sem sonhos.
Que me esconda além dos momentos que eu estou sob ele, para que não precise mais absorver secreções oculares e  nem sentir o peso da minha dor.
Assim, poderei ser pluma, mola, espuma, seja lá o que for. Qualquer delicadeza que arranque um suspiro ou sorriso alheio. Qualquer bom porto para um descanso. Qualquer escape, para noites como esta.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Umaguma,

Ele olha o relógio, olha pra ela. As luzes nas frestas anunciam a despedida. Não temos mais tempo.Cigarro aceso, banho gelado.Resignados, abraçam o cotidiano voraz. Querem chegar em algum lugar ; O lugar que leve-os à eles mesmos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Nublado - mas sempre belo.



Se eu não sei mais de mim, quero andar por aí, saber sobre o mundo, sobre vocês e construir algo bom pra  nós.
Quem sabe assim eu possa me reconstruir também.
Como é belo o amor, e como ele tem o poder de transformar, até quando o tempo está fechado para quem sente.

domingo, 24 de outubro de 2010

Moldura

Tentando me conhecer melhor.
A especialista em generalidades que não enxerga um palmo além do nariz.
Já faz tempo que não me prendo a nenhum tipo de ideologia ou convicção pra não correr o risco de me burocratizar ainda mais e não caminhar por outras estruturas. No entanto há travas inerentes à minha vontade. Algo que parece ser da essência.
Peixes com ascendente em touro ou em áries? Permanece a dúvida.
Eu gosto da idéia de me descobrir, mas não gosto do que estou descobrindo.É como se eu percebesse que todo o caminho percorrido tá errado. Que tudo o que eu vivi não significou nada, simplesmente porque eu não sei viver e mato tudo antes da hora. Como num beijo rápido demais, em que a gente não sente o gosto do sentimento.
Teria eu nascido de sete meses? A certidão confronta a hipótese. 
Tomara que a consciência sirva pra alguma coisa, ou eu terei que queimar todos os meus livros de malditos modernos. Eu sei que o meu mal é levar tudo à sério e brincar na hora que ninguém percebe.Mas faz parte de mim essa neurose a la Wood Allen. Esse egoísmo, essa possessividade. Por mais que eu me sinta uma tradicionalista de merda, no auge dos meus 21 anos...
Especialistas dizem que o que me falta é leveza. O que seria essa leveza? O jogo de dados do acaso? Tô me conflitando em busca dela e isso não é nada natural...
O que acontece é que eu posso não saber o que vai ser de mim, mas quero saber o que eu tô fazendo e porque. Daí eu posso construir ou descontruir as coisas. Admiro quem não pensa muito e só vive. É quase uma dádiva, não? Até quero absorver isso pra mim, mas posso garantir que está longe o dia em que eu vou virar a "alternative relax". Quem sabe na nova conjunção dos planetas...
É paradoxal. Sou o que sou e não sei se gosto disso. Também não sei se seria melhor de outra maneira. O preço que a gente paga por ter consciência é alto, mas é o primeiro passo. No mais, devo cuidar de mim e    usar essas características tidas como defeito a meu favor. Não vou ser determinista de achar que eu já nasci assim e serei assim pra sempre, e não aproveitar pra fazer as coisas de um jeito diferente. Mas ao mesmo tempo não vou contrariar a minha natureza, e passar por cima do que eu sinto. Nenhuma mudança é abrupta. É preciso entrar no casulo e metamorfosear. E isso é a única coisa que eu posso me propor agora. 
Bingo! Acho que encontrei o caminho da leveza.